CaféNaCaneca

Domingo, Setembro 06, 2009

Sem Fantasia

Vem, meu menino vadio
Vem, sem mentir pra você

Vem, mas vem sem fantasia

Que da noite pro dia
Você não vai crescer

Vem, por favor não evites

Meu amor, meus convites

Minha dor, meus apelos

Vou te envolver nos cabelos

Vem perder-te em meus braços

Pelo amor de Deus

Vem que eu te quero fraco

Vem que eu te quero tolo
Vem que eu te quero todo meu


(Chico Buarque)

Sábado, Agosto 29, 2009

A arte de engolir idiotas



Preferiria mastigá-los... Seria drástico ou simplesmente perfeito?
Ainda que eu tente parar de imediato, não paro
Eu minto, eu nego.
Eu grito, eu pesso.

Enlouqueço... E então esqueço.

Domingo, Maio 31, 2009




I've been wondering if all the things I've seen
Were ever real, were ever really happening



Everyday is a winding road

Segunda-feira, Abril 13, 2009

non


O gato comeu minha língua.
Cortaram minha árvore.


E eu estou aqui,
sem fala e sem lugar...


Quer dizer?
Eu não quero ouvir,
eu quero sentir.

Domingo, Fevereiro 08, 2009

Prelúdio



Sonho que se sonha só

É só um sonho que se sonha só
Mas sonho que se sonha junto

é realida ... de


(Raul Seixas)



Inicialmente a pergunta considerada ideal era: Dever ou poder? O que deveria ser feito ou o que poderia ser meramente “testado”.

É duvidoso fazer o que você denomina ser o mais correto ou aparentemente melhor, racional, mas toma uma atitude originada de todos os seus desejos, dúvidas, medos e até anseios, tornando ainda mais excitante o resultado. Talvez pelo fato de ser você, de estar agindo conforme suas necessidades, sendo a melhor forma de transparecer, ser e aprender. Não poderia existir o medo, pois ele elimina qualquer tentativa, risco e até mesmo sua felicidade por mais instantânea que fosse.

Por outro lado, ponderar é preciso, respeitar é obrigação. Saber até onde ir seria o ponto chave na questão.

Enquanto Chico vivia sua vida boemia, de bares em bares compunha sucessos de uma nova era, deixando para trás a Bossa... Eu fazia apenas uma caixa, dessas para se guardar as lembranças... E foi quando percebi que tinha o tal do medo, que nunca imaginara ter.

As lembranças seriam nossa maior fonte de vida. Onde a partir de recordações ficaria possível resgatar os melhores momentos, cenas, frases, relembrando até mesmo nossa verdadeira essência, que provavelmente tenha sido perdida ao longo de tantos acontecimentos, amadurecimento e tantas ressacas.

E se eu, com 16 anos posso dizer isso, quem dirá você, ou até mesmo Clarice Lispector ao passar sua vida escrevendo seus preciosos sentimentos traduzidos em palavras, ou até mesmo John Lennon e sua amada Yoko.

Onde entra o medo? Pois bem, o medo é de transformar algo que poderia continuar sendo real e fazer parte do seu momento, mas em vez disso vira mais uma lembrança para se guardar dentro daquela caixa...

Apesar das lembranças serem a base de cada um, o alicerce que sustenta e a cada dia fica mais forte. Mas existe também o verde, que não está amadurecido o suficiente, ou muito menos apodrecido a ponte de ser “esquecido”, superado ou ignorado.

Hoje tenho como prioridade ser, falar, respirar e transbordar todas as minhas emoções. Meus pensamentos são reflexos do que vivi e vivo, das pessoas que fazem parte da minha vida, dos protagonistas a figurantes.

A pergunta inicial era: dever ou poder? A resposta seria resumida em uma só palavra: querer.
Chego a conclusão que nada pode ser maior do que a beleza de seus pensamentos e o tamanho dos seus sentimentos. Querer não é poder, mas sim lutar, até cansar... E então entender, descobrindo onde encaixar o respeito que não se enxergava e então: respeitar. Não só o espaço que você poderia estar invadindo, mas principalmente a si mesmo, ignorando a probabilidade de talvez vir a apodrecer todo o sentimento que foi indiretamente fundado naquela história, deixando–o apenas amadurecer, num processo longo, o que eu chamaria de eterna lembrança.



(setembro,08)

Quarta-feira, Janeiro 07, 2009

Minar

Para nós não existiu a rua, a esquina e a avenida.
Não existiu a pastilha de menta, o filme e a pizza.
Não existiu a manhã, a tarde e a noite.
Não existiu a caminhada, a chegada... A simplicidade

Para mim existiu um beijo, o último.

Quinta-feira, Agosto 07, 2008

Nietzsche - conclusão


Uma questão que sobressai ao presente trabalho é aquela do “porque Nietzsche?”. As duas últimas décadas do século XIX são expoente da modernidade e dos avanços tecnológicos; grande parte dos maiores nomes da ciência são fruto desses anos. Dentre tantas mentes empenhadas e interessadas no progresso da ciência e da humanidade, a voz de um homem destoava desse compasso; este era Nietzsche. Todavia, essa perspectiva pode nos levar a contraposição filósofo/humanista e cientista natural, o que não consideramos de todo relevante. Mais interessante do que tentarmos definir os limites de atuação do filósofo ou cientista seria procurar atribuir seus respectivos saberes, refletindo sobre suas influências de modo a reavaliar nosso universo social. Dessa forma, podemos imaginar em que medida o pensamento de Nietzsche está por trás, oculto, das escolhas determinadas não pelo próprio indivíduo, mas sim por uma ordem social maior, qual seja, a do capital; onde nos prendemos a bens de consumo aceitos amplamente pela sociedade. Seja o carro do ano, seja qualquer cosmético de catálogos que trazem belas mulheres como mostruário, seja a nova ética e moral (também determinadas pela dinâmica capitalista monopolista), não seriam todas elas restrições ao ser, provavelmente ainda mais intensas do que aquelas vividas por Nietzsche? Ora, não será exatamente disso que o filósofo falava em Ecce Homo (1908) quando escreve “Conheço a minha sina. Um dia, meu nome será ligado à lembrança de algo tremendo, de uma crise como jamais houve sobre a Terra, da mais profunda colisão de consciência, de uma decisão conjurada contra tudo o que até então foi acreditado, santificado, querido. Eu não sou um homem, sou dinamite".


P. Stabile
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"Escrevo por ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar para mim na terra dos homens." (C. Lispector_)